segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Imagens que 5 presidenciáveis tentam nos vender

Por conselhos de marqueteiros ou vaidade narcísica, uma das teimosias mais peculiares de políticos são as formas como eles tentam vender suas imagens, tão críveis quanto as aventuras do Barão de Munchausen.

Os pré-candidatos à Presidência em 2018 são pratos cheios nesse quesito, a começar pelo “honesto” Lula, passando pelo “liberal” Bolsonaro e enveredando pela “opção” Alckmin, o Ciro Gomes “que tende de economia” e a Marina “que ouve a sociedade e rejeita a política de interesses pessoais”.

O MAIS HONESTO

Líder de intenções de votos, com 34% na última pesquisa Datafolha, Luiz Inácio da Silva (PT) gaba-se de sua alegada honestidade com entusiasmo diretamente proporcional aos processos em que vira réu – por enquanto, são seis.

“Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste País, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público”, disse, a uma trupe de blogueiros companheiros em janeiro de 2016, após depor à Lava Jato, então ainda como testemunha.

“Só Jesus ganha de mim”, ponderou, seis meses depois, já denunciado na investigação sobre o triplex construído para ele no Guarujá pela OAS – no mesmo dia, disse que Dilma foi “injustiçada” no impeachment.

“Se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, quero dizer que não vale a pena ser honesto neste país”, garantiu, em junho deste ano.

‘MEU Triplex’

Curiosamente, sete meses antes, em novembro de 2016, o mesmo Lula reclamava de que “ não dão destaque ao apartamento do Geddel [Vieira Lima, do PMDB] como deram ao meu tríplex”.

O apartamento do peemedebista baiano foi devassado com todo o destaque aos milhões escondido, enquanto a 13ª Vara Federal de Curitiba, condenou a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

'Traído'

Livre pelo juiz Sérgio Moro de cumprir prisão antes da decisão de 2ª instância, Lula tenta se reeleger e, para isso, fugir da imagem de criador de Dilma Rousseff. Sobre ela, a quem chamara de “injustiçada”, agora afirma, ao espanhol “El País”, que “o eleitorado se sentiu traído” com o ajuste fiscal – que não houve, vide a recessão acumulada de 7,2% em dois anos.

Logo Lula, que, até 2015, insistia para que Dilma pusesse na Fazenda ninguém menos do que Henrique Meirelles, seu ex-presidente do BC e atual comandante das reformas como ministro e Temer.

Metamorfose Ambulante

Seu recorde no Revezamento de Versões continua sendo o do Mensalão, entretanto. Um mês após a entrevista de Roberto Jefferson à “Folha de São Paulo”, em 2005, o então presidente alegou que o PT fizera “só” Caixa 2. “O que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente”, alegou.

Mais um mês depois, em agosto, convocou Rede Nacional de Rádio e TV para pedir desculpas e se dizer “traído” por companheiros que teriam cometido comprados votos de parlamentares sem seu conhecimento.

Tempos depois, já estava prometendo ao nº1 desses companheiros, José Dirceu, desmontar a “farsa” do mensalão. Mais do que condenação de Dirceu, entre outros, e a afirmação recente de outro mensaleiro – Pedro Correa, do PP – de que o então presidente sabia de tudo que se passava, a garantia que se pode extrair sobre o principal beneficiado pela bancada do Mensalão é a seguinte:

Quando alguém dá três versões diferentes sobre o mesmo assunto, a única certeza é que ela mentiu pelo menos duas vezes.

O VERDADEIRO NEOLIBERAL

A minha classe não acredita no Plano Real. O servidor público não acredita

Matando 30 mil! A começar pelo FHC

Barbaridade é privatizar a Vale do Rio Doce, é privatizar as telecomunicações, é entregar nossas reservas petrolíferas para o capital externo”.

Curiosamente, o autor das frases acima não é nenhum sindicalista ligado ao PCO, mas o pré-candidato com assessores que tentam vendê-lo como imagem de “liberal”.

Tido tanto por seus seguidores quanto por seus detratores como a antítese de Lula, deputado federal Jair Bolsonaro, 2º colocado, com 17% das intenções de voto, se assemelha bem a ele do que parece, especialmente em questões econômicas.

O antagonismo entre Bolsonaro e o liberalismo é exposto na parede de seu gabinete de Bolsonaro, com os retratos dos presidentes do regime militar –o que ele não chama de ditadura. Não bastasse a falta de eleições livres, na economia, o período foi estatista desde a criação do Banco Central, logo em 1964, passando por Ernesto Geisel, o maior criador de estatais da história deste país, até a emissão de moeda que contribuiu para a hiperinflação.

O ‘interesse nacional’

Em 1994, enquanto o Brasil se livrava da hiperinflação, Bolsonaro votava contra o plano Real. Nos seguintes, enquanto caíam os monopólios da exploração do petróleo e das telecomunicações – telefones eram artigos quase de luxo, a ponto de serem declarados em Imposto de Renda –, ele também votava contra.

Não espanta, portanto, que tenha dito que votaria em Lula em um 2º turno, afinal estava sempre votando junto com o PT, para desgosto de seus eleitores e dos petistas.

Guinada de 360 graus

Hoje, Bolsonaro se aconselha com economistas de linhas mais liberal, como Adolfo Sachsida e diz que Paulo Guedes será seu ministro da Fazenda. Tudo isso para, questionado sobre a privatização da Petrobras, voltar a mostrar argumentos parecidíssimos com os de 20 anos atrás: “Tem que pensar 200 vezes antes de privatizar a Petrobras. Quem vai decidir o preço do combustível se colocar na mão de estrangeiros?”.

Laços de Família

Junto com Jair Bolsonaro, vêm seus filhos, dos quais três são políticos com mandatos parlamentares e que parecem acompanha a guinada tão liberal do pai.

No Rio de Janeiro, o vereador Carlos Bolsonaro diz que é “só” coautor de projeto que prevê salario vitalício para ele e seus pares. Depois, vota com quase todo o resto da Câmara pela obrigatoriedade de os ônibus terem cobradores, contrariando a tendência mundial de bilhetagem eletrônica.

No Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) nega o (bilionário) déficit da Previdência. E isso depois de ter estudado Escola Austríaca no Instituto Mises Brasil! Não citei o partido, porque Bolsonaro está de partida, do PSC para o recém-criado Patriota – os filhos tendem a ir junto.

ECONOMÊS CIRO

O filho de Jair Bolsonaro não é solitário em sua negação. Outro presidenciável que gosta de declarações belicosas, Ciro Gomes, hoje no PDT, disse recentemente que “qualquer pessoa que tenha um mínimo de decência e não esteja a serviço da manipulação de informações, vê [que não existe déficit da Previdência]”.

Ciro usa argumentos como da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), que junta a Previdência dentro do orçamento da Seguridade Social, como se fosse uma coisa só – quanto, o entanto, enquanto a Seguridade inclui outros itens, como Assistência Social e mesmo na área de saúde.

Além disso, sustenta que, acabando com a DRU (Desvinculação das Receitas da União) e somando suas receitas de gasto flexibilizado, a Previdência seria superavitária. Ocorre que, mesmo assim, a DRU teve R$ 91,7 bilhões desvinculados em 2016, quando o déficit da Previdência foi de R$ 138,1 bilhões, como explica o Instituto Mercado Popular.

Em setembro, a própria Anfip já reconheceu o déficit até da Seguridade Social, Ciro. Agora só falta você.

‘CONTRA INTERESSES PESSOAIS’

Trocando de partido quase com tanta naturalidade quanto Ciro Gomes, mas com maior sucesso recente em se lançar à Presidência, Marina Silva, hoje na sua Rede, parece que só pensa naquilo: o Palácio do Planalto.

Ministra de Lula até 2009, ela só deixou o governo, aliás, para empreender sua candidatura presidencial – concorreria no ano seguinte, pelo PV.

O mensalão não foi empecilho para que Marina continuasse no PT, mas hoje diz que “não aceitamos mais como regra da ação política o conluio que coloca o patrimônio de toda a sociedade a serviço de interesses individuais ou de grupos”, enquanto “partidos políticos começam na sociedade”.

Disse tudo isso no encontro que lançou seu interesse individual de ser presidente (nada de errado, desde que se assuma), em um evento da Rede – partido criado por ela exatamente com esse fim pessoal, ao deixar o PV.

PARA VALER... O QUÊ?

Ao contrário de Marina, Geraldo Alckmin é do PSDB desde sua fundação. Difícil é saber se ele é uma opção ao PT, como seria de se esperar de um oposicionista, ou do PT, como mostra em seu contínuo desejo de se mostrar parecido com os adversários petistas.

A ocasião mais recente foi ao se participar de um encontra “contra a ‘Onde Conservadora’” juntando tucanos de uma ala denominada “Esquerda Para Valer”, petistas como Eduardo Suplicy e até Aldo Rebelo, que até outro dia estava no PC do B – que se manifesta a favor até do governo da Coreia do Norte.

Acaso ou não, o que Alckmin chamou de "incivilizado" em outro evento recente foi o liberalismo.

Agora, ele se apresenta como A opção presidenciável do partido.

Quando ele foi o candidato tucano, em 2006, o que aconteceu? Ao primeiro ataque do PT alegando que ele privatizaria a Petrobras e outras estatais, o ‘Picolé de Chuchu’, em vez de defender um legado do governo de seu partido, fantasiou-se de um patético macacão com logotipos de empresas estatais como Banco do Brasil, Correios e outras que, cada vez mais, só nos remetem a diretores envolvidos com mensalões e similares, desastres até para s próprios funcionários, como os rombos em seus fundos de pensão, e, acima de tudo, serviços horrorosos.

Ele acha mesmo que algum cidadão comum, de posse desses detalhes sórdidos, vai desejar mesmo manter serviços na mão de políticos?

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