quarta-feira, 21 de agosto de 2013

É devagar, devagarinho

Q uem poderia supor, há um ano e dois meses, a que ponto a cidade turvaria? Fechamento sistemático de ruas e as depredações de “manifestantes” que não se importam em arriscar a integridade física de trabalhadores e passageiros de ônibus são encarados como quase naturais por moradores do Rio de Janeiro. Cariocas planejam trajetos com antecedência para evitar os bondes dos sujeitos que agem em bando e com o rosto escondido. E com PMs mais hábeis em arder os olhos de quem nada tem a ver com a questão do que em prender os culpados.

Em junho de 2012, durante a Rio+20 escrevi aqui sobre a “Marcha contra o direito de ir e vir” (migre.me/fOEju).A CET-Rio ainda pedia “paciência” aos reféns dos engarrafamentos da Marcha das Mulheres, cuja organizadora Adriana Messali alegou ser “preciso ocupar as ruas para a cidade perceba a luta dos movimentos sociais”.

“Dá medo quem acha que as pessoas são obrigadas a parar para ouvir suas palavras de ordem. Ainda mais em bandos, o que eleva o autoritarismo às mais altas potências”, escrevi. Sem precisar ser a Mãe Diná, eis o resultado. Um ano depois, ao aceitar que militantes barrem mobilidade alheia, a violência cresce, pois, como disse David Hume, “raramente se perde qualquer tipo de liberdade de uma só vez”. Resta torcer para não vingar a previsão de Demétrio Magnoli, que compara o momento atual aos primórdios do grupo terrorista alemão Baader-Meinhoff.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Covardia contra os trabalhadores

Largo do Machado, zona sul do Rio, 23h. Amiga repórter passa tensa, escondendo o logotipo da empresa para não ser impedida de trabalhar por manifestantes tão pacíficos quanto democráticos que, em bandos, ditam quem pode ou não cobrir um ato no espaço público da rua. Levanto, cumprimento-a e volto. Mesmo local, uns chopes depois. Passa cara por quem, por anos, tive grande amizade e admiração, mas que passou a achar linda a covardia dos bandos. Aceno.

A 2,5 km, militantes seguiam na Câmara, invadida, exigindo saída da CPI dos Ônibus de vereadores que não apoiaram sua criação – e que Eliomar Coelho (PSOL) a presida. Para isso, depredaram o gabinete de outro integrante da comissão e tentaram impedir a imprensa de registrar seus atos. Violaram o Código Penal e a Constituição Federal. Políticos eventualmente favorecidos beneficiar-se-ão de crime e censura – legisladores e governantes que negociam, os aceitam como métodos.

(Foto:Rafael Pereira)

De volta ao Largo do Machado. After midnight. À espera do ônibus, funcionários de uma lanchonete multinacional, conversam, ainda atordoados com o ataque sofrido, poucas horas antes, do bando de “manifestantes” que passou atirando pedras, nem aí para o risco à integridade física dos trabalhadores atrás das vidraças e que, agora, reclamavam não de PMs, mas da ausência deles antes. Já quem ataca “símbolos do capitalismo” devia experimentar protestar de forma (realmente) pacífica, contra o governo, em Gaza ou em Cuba, cujo vitalício-emérito fez 87 anos. Aí, conheceriam o que é, de fato, ser preso político sob ditadura.

(The Guardian)

1) Como diz Lobão, "o frouxo unido jamais será um indivíduo". Enquanto minha amiga repórter já mostrou crimes de fato cometidos por policiais, os "manifestantes 'do bem'" posam de vítimas quando cometem crimes e a PM tenta impedir.

2) A, digamos, justificativa foi a cobertura "nojenta" da "mídia" em geral e da Globo, em particular. Ausência de Voltaire à parte, pelo jeito, foi pouco Leilane e cia. repetindo a palavra "manifestação pacífica", enquanto carros eram queimados e seus colegas, na ruam ameaçados. Deveriam ler textos ditados pela apartidária mídia "ninja", de preferência com o Galvão Bueno narrando entusiasticamente cada bomba jogada por esse Brasil-sil, gigante desperto e esperto, que mostra a sua cara

(quer dizer, a esconde...)

3) Constituição Federal – Art. 5º (...) IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm).4) Código Penal – Art. 163 - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

4)After midnight, homanagem ao recém-falecido JJ Cale, seu compositor, que também faz Cocaine

Na ilha dominada pelo Che querido dos "manifestantes 'pacíficos'" que chamam Sérgio Cabral de ditador, essa banal internet é controlada – assim como o surfe, que pode ajudar "infideles" a fugir, como mostra texto nesse link, em homenagem ao ditador com anos em festa.

Atualização: o vereador Eliomar Coelho (PSOL), que os "manifestantes 'democráticos'" querem impor, na marra, como presidente da CPI, usou o Facebook, essa invenção imperialista estadunidense, para dizer que desistiu da sessão de quinta-feira (15/8), entre outras coisas, porque: a)"5 Batalhões da PM, além do Batalhão de Choque, cercam a Cinelândia e impedem o ir e vir da população, mesmo os que não viriam para a CPI"; depois, que: b) "A presidência da Câmara, passando totalmente por cima do Regimento Interno, cancelou o expediente normal" e que "Isso é mais um GOLPE".

Em nenhum momento, Eliomar reclamou do golpe que os "manifestantes" simpáticos a ele deram, ao invadir a Câmara e depredar o gabinete de um colega vereador, do atropelo do Regimento Interno que os mesmos tentam impor, ao não aceitar o rito democrático da eleição para a composição da CPI, nem do cerca que os mesmos 'protestantes' que o apoiam fizeram à Câmara, tentando impedir a saída do presidente da casa, Jorge Felippe (PMDB) e agredindo outros vereadores com ovos. Quanto às violências de seus apoiadores contra os rivais, silêncio total.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O louco vício por controlar

Uma cerveja depois do trabalho é muito bom para ficar pensando melhor, mas, se o Destak ficasse no Uruguai, eu, que costumo sair após as 22h, ficaria impedido de, no caminho, ver o bar melhor para ficar, caso prospere o novo projeto de lei enviado pelo Governo ao Congresso uruguaio.

Festejado imerecidamente por “liberar” a maconha, o presidente uruguaio José Mujica quer proibir a venda de bebidas alcoólicas das 22h às 8h. O secretário da Presidência, Diego Cánepa, alega que 200 mil dos 3,5 milhões de uruguaios têm problemas com álcool “bebemos muito e bebemos mal, e esse é um problema que precisamos solucionar”.

As intenções declaradas, claro, são as mais bondosas do mundo e o Estado, no papel de babá se inclui de forma totalitária na vida das pessoas, negando-lhes a liberdade de beber quando – e pararem (só) se quiserem. O “nós” de Cánepa não é por acaso.

Como Milton Friedman, penso que o Estado tem tanto direito de dizer o que pode entrar na minha boca quanto sair dela – inclusive sobre drogas mais pesadas. Se a maconha, estatal, permitida no Uruguai, tiver a qualidade típica dos serviços prestados pelo Estado, temo até que reforce o tráfico ilegal feito por bandidos.

Mujica também pretende reduzir locais autorizados a vender goró e é aplaudido por alguns mesmos que celebraram sua “liberação”. Contraditório? Nada. Culpar o outro (o capitalista, visando lucro, cai como luva) é o vício de quem curte tanto a responsabilidade quanto a liberdade individual.

<h1>Viagem ao fundo do Rio</h1>

Dentro do país vindo de sua pior queda de PIB (7,2%) e empregos (3,5 milhões) em dois anos, o estado com piores déficits nesses anos (R$...