segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Imagens que 5 presidenciáveis tentam nos vender

Por conselhos de marqueteiros ou vaidade narcísica, uma das teimosias mais peculiares de políticos são as formas como eles tentam vender suas imagens, tão críveis quanto as aventuras do Barão de Munchausen.

Os pré-candidatos à Presidência em 2018 são pratos cheios nesse quesito, a começar pelo “honesto” Lula, passando pelo “liberal” Bolsonaro e enveredando pela “opção” Alckmin, o Ciro Gomes “que tende de economia” e a Marina “que ouve a sociedade e rejeita a política de interesses pessoais”.

O MAIS HONESTO

Líder de intenções de votos, com 34% na última pesquisa Datafolha, Luiz Inácio da Silva (PT) gaba-se de sua alegada honestidade com entusiasmo diretamente proporcional aos processos em que vira réu – por enquanto, são seis.

“Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste País, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público”, disse, a uma trupe de blogueiros companheiros em janeiro de 2016, após depor à Lava Jato, então ainda como testemunha.

“Só Jesus ganha de mim”, ponderou, seis meses depois, já denunciado na investigação sobre o triplex construído para ele no Guarujá pela OAS – no mesmo dia, disse que Dilma foi “injustiçada” no impeachment.

“Se tiver uma decisão que não seja a minha inocência, quero dizer que não vale a pena ser honesto neste país”, garantiu, em junho deste ano.

‘MEU Triplex’

Curiosamente, sete meses antes, em novembro de 2016, o mesmo Lula reclamava de que “ não dão destaque ao apartamento do Geddel [Vieira Lima, do PMDB] como deram ao meu tríplex”.

O apartamento do peemedebista baiano foi devassado com todo o destaque aos milhões escondido, enquanto a 13ª Vara Federal de Curitiba, condenou a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

'Traído'

Livre pelo juiz Sérgio Moro de cumprir prisão antes da decisão de 2ª instância, Lula tenta se reeleger e, para isso, fugir da imagem de criador de Dilma Rousseff. Sobre ela, a quem chamara de “injustiçada”, agora afirma, ao espanhol “El País”, que “o eleitorado se sentiu traído” com o ajuste fiscal – que não houve, vide a recessão acumulada de 7,2% em dois anos.

Logo Lula, que, até 2015, insistia para que Dilma pusesse na Fazenda ninguém menos do que Henrique Meirelles, seu ex-presidente do BC e atual comandante das reformas como ministro e Temer.

Metamorfose Ambulante

Seu recorde no Revezamento de Versões continua sendo o do Mensalão, entretanto. Um mês após a entrevista de Roberto Jefferson à “Folha de São Paulo”, em 2005, o então presidente alegou que o PT fizera “só” Caixa 2. “O que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente”, alegou.

Mais um mês depois, em agosto, convocou Rede Nacional de Rádio e TV para pedir desculpas e se dizer “traído” por companheiros que teriam cometido comprados votos de parlamentares sem seu conhecimento.

Tempos depois, já estava prometendo ao nº1 desses companheiros, José Dirceu, desmontar a “farsa” do mensalão. Mais do que condenação de Dirceu, entre outros, e a afirmação recente de outro mensaleiro – Pedro Correa, do PP – de que o então presidente sabia de tudo que se passava, a garantia que se pode extrair sobre o principal beneficiado pela bancada do Mensalão é a seguinte:

Quando alguém dá três versões diferentes sobre o mesmo assunto, a única certeza é que ela mentiu pelo menos duas vezes.

O VERDADEIRO NEOLIBERAL

A minha classe não acredita no Plano Real. O servidor público não acredita

Matando 30 mil! A começar pelo FHC

Barbaridade é privatizar a Vale do Rio Doce, é privatizar as telecomunicações, é entregar nossas reservas petrolíferas para o capital externo”.

Curiosamente, o autor das frases acima não é nenhum sindicalista ligado ao PCO, mas o pré-candidato com assessores que tentam vendê-lo como imagem de “liberal”.

Tido tanto por seus seguidores quanto por seus detratores como a antítese de Lula, deputado federal Jair Bolsonaro, 2º colocado, com 17% das intenções de voto, se assemelha bem a ele do que parece, especialmente em questões econômicas.

O antagonismo entre Bolsonaro e o liberalismo é exposto na parede de seu gabinete de Bolsonaro, com os retratos dos presidentes do regime militar –o que ele não chama de ditadura. Não bastasse a falta de eleições livres, na economia, o período foi estatista desde a criação do Banco Central, logo em 1964, passando por Ernesto Geisel, o maior criador de estatais da história deste país, até a emissão de moeda que contribuiu para a hiperinflação.

O ‘interesse nacional’

Em 1994, enquanto o Brasil se livrava da hiperinflação, Bolsonaro votava contra o plano Real. Nos seguintes, enquanto caíam os monopólios da exploração do petróleo e das telecomunicações – telefones eram artigos quase de luxo, a ponto de serem declarados em Imposto de Renda –, ele também votava contra.

Não espanta, portanto, que tenha dito que votaria em Lula em um 2º turno, afinal estava sempre votando junto com o PT, para desgosto de seus eleitores e dos petistas.

Guinada de 360 graus

Hoje, Bolsonaro se aconselha com economistas de linhas mais liberal, como Adolfo Sachsida e diz que Paulo Guedes será seu ministro da Fazenda. Tudo isso para, questionado sobre a privatização da Petrobras, voltar a mostrar argumentos parecidíssimos com os de 20 anos atrás: “Tem que pensar 200 vezes antes de privatizar a Petrobras. Quem vai decidir o preço do combustível se colocar na mão de estrangeiros?”.

Laços de Família

Junto com Jair Bolsonaro, vêm seus filhos, dos quais três são políticos com mandatos parlamentares e que parecem acompanha a guinada tão liberal do pai.

No Rio de Janeiro, o vereador Carlos Bolsonaro diz que é “só” coautor de projeto que prevê salario vitalício para ele e seus pares. Depois, vota com quase todo o resto da Câmara pela obrigatoriedade de os ônibus terem cobradores, contrariando a tendência mundial de bilhetagem eletrônica.

No Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) nega o (bilionário) déficit da Previdência. E isso depois de ter estudado Escola Austríaca no Instituto Mises Brasil! Não citei o partido, porque Bolsonaro está de partida, do PSC para o recém-criado Patriota – os filhos tendem a ir junto.

ECONOMÊS CIRO

O filho de Jair Bolsonaro não é solitário em sua negação. Outro presidenciável que gosta de declarações belicosas, Ciro Gomes, hoje no PDT, disse recentemente que “qualquer pessoa que tenha um mínimo de decência e não esteja a serviço da manipulação de informações, vê [que não existe déficit da Previdência]”.

Ciro usa argumentos como da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal), que junta a Previdência dentro do orçamento da Seguridade Social, como se fosse uma coisa só – quanto, o entanto, enquanto a Seguridade inclui outros itens, como Assistência Social e mesmo na área de saúde.

Além disso, sustenta que, acabando com a DRU (Desvinculação das Receitas da União) e somando suas receitas de gasto flexibilizado, a Previdência seria superavitária. Ocorre que, mesmo assim, a DRU teve R$ 91,7 bilhões desvinculados em 2016, quando o déficit da Previdência foi de R$ 138,1 bilhões, como explica o Instituto Mercado Popular.

Em setembro, a própria Anfip já reconheceu o déficit até da Seguridade Social, Ciro. Agora só falta você.

‘CONTRA INTERESSES PESSOAIS’

Trocando de partido quase com tanta naturalidade quanto Ciro Gomes, mas com maior sucesso recente em se lançar à Presidência, Marina Silva, hoje na sua Rede, parece que só pensa naquilo: o Palácio do Planalto.

Ministra de Lula até 2009, ela só deixou o governo, aliás, para empreender sua candidatura presidencial – concorreria no ano seguinte, pelo PV.

O mensalão não foi empecilho para que Marina continuasse no PT, mas hoje diz que “não aceitamos mais como regra da ação política o conluio que coloca o patrimônio de toda a sociedade a serviço de interesses individuais ou de grupos”, enquanto “partidos políticos começam na sociedade”.

Disse tudo isso no encontro que lançou seu interesse individual de ser presidente (nada de errado, desde que se assuma), em um evento da Rede – partido criado por ela exatamente com esse fim pessoal, ao deixar o PV.

PARA VALER... O QUÊ?

Ao contrário de Marina, Geraldo Alckmin é do PSDB desde sua fundação. Difícil é saber se ele é uma opção ao PT, como seria de se esperar de um oposicionista, ou do PT, como mostra em seu contínuo desejo de se mostrar parecido com os adversários petistas.

A ocasião mais recente foi ao se participar de um encontra “contra a ‘Onde Conservadora’” juntando tucanos de uma ala denominada “Esquerda Para Valer”, petistas como Eduardo Suplicy e até Aldo Rebelo, que até outro dia estava no PC do B – que se manifesta a favor até do governo da Coreia do Norte.

Acaso ou não, o que Alckmin chamou de "incivilizado" em outro evento recente foi o liberalismo.

Agora, ele se apresenta como A opção presidenciável do partido.

Quando ele foi o candidato tucano, em 2006, o que aconteceu? Ao primeiro ataque do PT alegando que ele privatizaria a Petrobras e outras estatais, o ‘Picolé de Chuchu’, em vez de defender um legado do governo de seu partido, fantasiou-se de um patético macacão com logotipos de empresas estatais como Banco do Brasil, Correios e outras que, cada vez mais, só nos remetem a diretores envolvidos com mensalões e similares, desastres até para s próprios funcionários, como os rombos em seus fundos de pensão, e, acima de tudo, serviços horrorosos.

Ele acha mesmo que algum cidadão comum, de posse desses detalhes sórdidos, vai desejar mesmo manter serviços na mão de políticos?

Viagem ao fundo do Rio

Dentro do país vindo de sua pior queda de PIB (7,2%) e empregos (3,5 milhões) em dois anos, o estado com piores déficits nesses anos (R$ 17,5 bilhões em 2016, R$ 10 bilhões previstos em 2017) e sua capital precisando cortar R$ 3,2 bilhões do orçamento de 2017.

Falando assim, custa crer que, há menos de dez anos, as figuras de proa da política municipal, estadual e nacional nadavam de braçada aqui, juntas e misturadas decolando nos braços do Cristo Redentor da capa da Economist.

A terra arrasada que os números ilustram salta aos olhos em imagens como as de seguidas obras inacabadas e paradas que, há pouco mais de meia década, eram símbolo dessa suposta Renascença carioca.

(Arte:Vitor Dornelles)

Uma mera viagem de ônibus que faço entre a minha casa, na Lapa, e a minha mãe, no Leblon, é suficiente para um considerável passeio turístico sobre essas ruínas dos tempos de Cabral, em um trajeto que pode ser bem visualizado abrindo o mapa logo acima.

BRT: legado olímpico de obras paradas

(Carlos Magno/Divulgação)

O roteiro temático aumenta pegando desde o início a linha que liga os dois bairros, na rodoviária Novo Rio, de onde sai o Troncal 2 (Rodoviária-Jardim de Alah), entre as regiões norte e central, sendo local de baldeação para gente de toda a região metropolitana. Um passageiro que viesse de Deodoro, entre as zonas norte e oeste, teria reduzido em 40% seu tempo médio de 1 hora nos 25 km de ônibus até rodoviária graças ao corredor expresso BRT Transbrasil.

Teria, porque, anunciado para os Jogos de 2016, o corredor atrasou a largada e saiu do projeto olímpico em 2014. Lembra do prefeito Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral Filho(PMDB) comemorando, com o presidente Lula (PT) a escolha do Rio para sediar a Olimpíada? Pois é, foi em 2009. Tempo não faltou.

As obras só voltaram em abril deste ano, com custo extra de R$ 115 bilhões, totalizando R$ 1,4 bilhão e previsão de conclusão até julho de 2018 – e só até o Caju, 2 km antes da rodoviária. O prefeito Marcelo Crivella (PRB), outro aliado de 2010, nem tem previsão de quando o BRT chega à rodoviária e à Central do Brasil.

(Mendigo dorme na obra parada do BRT - Reprodução/TV Globo)

Berço do samba estatal

Embarcando no Troncal 2 na rodoviária, Crivella faz parte do próximo enredo da viagem rumo ao Leblon. A linha passa pelo Sambódromo, construído em 1983, pelo governo de Leonel Brizola e de onde desfilam as escolas de samba do Grupo Especial.

Para economizar, o prefeito cortou metade dos R$ 26 milhões de dinheiro público dados pela prefeitura às agremiações, que passaram a ser “só” R$ 13 milhões.

Crivella podia ter viabilizado mais R$ 10 milhões para as escolas, oferecidos pelo Uber. Mas o prefeito ignorou a oferta de patrocínio sem uso de dinheiro público e, na semana passada, optou por um oferecimento inferior, de R$ 8 milhões, do Ministério da Cultura, via Lei Rouanet e Caixa Econômica Federal.

(Edivaldo Reis/PRB)

Côrtes informa: sai Iaserj, entra Inca.. bom, entram mosquitos

“O governador mandou dar um presente para o Inca, e o presente será a futura cessão do prédio do Iaserj… (aplausos acalorados) O governador… (...) O presente não é para o Inca: o presente é para a população do Rio de Janeiro (aplausos), que vai poder ter na ampliação do nosso Instituto, do nosso Inca, aumentar a assistência para a nossa população, e com certeza melhorar ainda mais a assistência à oncologia no país. Muito obrigado. (Aplausos.) "”

No discurso transcrito acima, há 10 anos, com os aplausos em destaque, o então secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes celebrava o presente que seu chefe, Sérgio Cabral daria ao Instituto Nacional do Câncer, sob gestão de seus companheiros Lula José Gomes Temporão, então ministro da Saúde.

Cinco anos depois, Cabral enfim demoliu o hospital do Instituto dos Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio de Janeiro – que mal ou bem funcionava – e, em seu lugar, deu de presente aos vizinhos um terreno baldio com matagal e criação de mosquitos.

Terreno bladio que se tornou a obra parada do Inca

Em 2015, (mais uma) investigada pela Lava Jato, a construtora Schahin parou as obras, estimadas inicialmente em R$ 500 milhões, pelas quais era responsável e, onde doenças eram tratadas, ficou mais fácil contraí-las.

Ali fica o ponto inicial do Troncal 10 (Cruz Vermelha-Jardim de Alah), de trajeto similar ao do nosso Troncal 2 – ao qual se encontrará ao dobrar sua primeira esquina, na rua do Riachuelo.

Antes disso, na mesma rua Washington Luiz onde para o Troncal 10, uma placa do Governo do Estado ainda anuncia uma reforma de quase R$ 50 milhões no IEC (Instituto Nacional do Cérebro), ainda que ela tenha parado por falta de pagamento – depois de ser inaugurada, em 2013.

Em visita ao IEC, há dois meses, o presidente Michel Temer prometeu bancar, através do Ministério da Saúde, os R$ 23 milhões que faltam para terminar a obra em 2018.

Mais cautelosa em seu caso, a assessoria de imprensa do Inca respondeu que “a continuidade da obra depende da atualização do projeto e consequente realização de nova licitação, cujos trâmites já se iniciaram” e que “o orçamento está sendo redimensionado”.

Tal qual a Schahin, a maioria dos protagonistas do aplaudido discurso de 10 anos atrás são hoje personagens da Lava Jato: Côrtes preso, Lula condenado, Cabral preso e condenado.

Dias de Glória

Saindo da Lapa, após o Outeiro e sobre o espaço do Aterro, a paisagem se mostra útil ao nos apresentar ao maior Campeão Nacional da Era Lula e seu grande financiador.

Com a importância histórica das ruínas, mas de memória recente, o majestoso Hotel Glória tornou-se algo como um palácio em ruínas desde que, em 2013, o empresário Eike Batista, seu arrendatário, parou as obras da reforma que iniciara dois anos antes, ao receber 66% de todo o valor até então financiado pelo BNDES para o um programa para ampliar a capacidade da rede hoteleira até a Copa do Mundo de 2014.

Ali, Eike havia arrebatado R$ 146,5 milhões dos R$ 220 milhões destinados pelo BNDES ao ProCopa e que bancariam mais de metade dos R$ 260 milhões previstos para a ampliação do hotel.

(Lateral onde seria a ampliação)

Repassado ao Mubdala, fundo de investimento dos Emirados Árabes, o Glória tem como destino mais provável um empreendimento comercial, mas sem previsão de prazo.

Um pouco adiante, também sem previsão, está outro grande edifício arrendado por Eike. O Clube de Regatas do Flamengo tenta hoje achar alguém que compre sua sede no morro da Viúva, um edifício de 150 andares que o empresário adquiriu em 2012, para transformar em um hotel cinco estrelas de 450 quartos, em investimento de mais de R$ 100 milhões, mas cujo dinheiro acabou em R$ 19 milhões.

É menos do que a multa de R$ 21 milhões aos quais a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou, por uso de informações privilegiadas em vendas de ações da OSX, o empresário – mais um escalado no time dos presos pela Lava Jato.

Canecas e pratos finos

Deixamos o Flamengo e o botafoguense Eike e passamos para... Botafogo, onde o Troncal 2 me inspirou essa matéria, na visão de ruínas quase vizinhas, das esferas estadual e federal.

Ao dobrar a passagem, a esquina da rua General Góis Monteiro ainda tem a placa e um vigilante que protege as instalações incompletas de cozinhas industriais para Le Cordon Blue, centenária escola de culinária francês que, em 2011, teve sua filial carioca anunciada com pompa por Sérgio Cabral para o ano seguinte.

Sabe-se lá o que uma escola particular de culinária tem de assunto de governo – estaria então governador querendo reviver aqui sua inesquecível Noite dos Guardanapos no restaurante Ritz, de Paris?

(Reprodução/Arquivo Pessoal)

O fato é que a receita se repetiu e o prato prometido não ficou pronto, depois de a conta subir de R$ 4 milhões para R$ 12 milhões. Segundo a Secretaria de Ciência e Tecnologia, o estado gastou R$ 7,9 milhões e orçamento subiu mais ainda, beirando os R$ 14 milhões – a pasta afirma que, no próximo ano, a filial da Le Cordon Blue sai do papel, entre maio e junho, com R$ 6 milhões restantes investidos pela própria matriz francesa e 6 anos de atraso.

Também vem da iniciativa privada a esperança para refazer o que era feito (e deixou de ser feito, logo que o governo o encampou) em um tradicional espaço carioca logo em frente: música.

De 1968 a 2010, quase todos os principais músicos brasileiros (e alguns estrangeiros) passaram pelo Canecão, que hoje só apresenta abandono a quem o vê de frente, da General Góis Monteiro, antes de virar na avenida Lauro Sodré para entrar no Túnel Novo.

Foi para deixá-lo abandonado que, em 2010 a UFRJ retomou o Canecão na Justiça. Na época, o prefeito do campus da UFRJ, Hélio de Matos, disse que a casa de shows não seria fechada: “Queremos chamar todos os artistas para um evento e assim retomar o espaço”.

Por sua vez, o DCE, sendo DCE, clamou pela garantia de que os espaços sejam para uso “público, cultural e popular”. Em português claro: para os amigos ideológicos.

Nesses sete anos, o Canecão só teve música naqueles eventos políticos apelidados de “ocupação”: em 2012, para pedir sua transformação em um centro cultural “público” (leia-se bancado por impostos); em 2016, como “novo polo de resistência (sic) contra o golpe (sic)”. Dessa vez, a galera bradou que “a ‘ocupação’ se mantém até o Temer cair”. A ocupação não se manteve, o Temer não caiu e seu atual ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão negocia com o reitor da UFRJ, Roberto Leher, uma solução para o espaço. Para voltar a funcionar, de fato, o mais viável é... pois é: voltar a ser alugado à iniciativa privada.

Enquanto isso não ocorre, entidades de classe como a Andes (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior) usam o Canecão “público, cultural e popular” como mural de cartazes para suas manifestações políticas, como mais uma “greve geral” que CUT e cia. tentam impor à população nesta 3ª-feira, desta vez “contra as reformas”. O estado do Canecão dá uma boa ideia do quanto essa galera é contra reformas e no que seu toque de Midas transforma as coisas de que tomam poder.

Repararam que todas as pedras fundamentais desse desastre foram lançadas entre 2007 e 2012, a maioria mais para entre 2009 e 2011? Pois é. Enquanto o Troncal 2 passa por Copacabana*, sem visão para novas ruínas em nosso trajeto, dá tempo para uma breve exposição de alguns que levaram ao naufrágio do Rio de Janeiro.

Além da crise nacional, aqui ele é mais profundo devido a fatores como a queda pela metade com a arrecadação de royalties do petróleo entre 2014 e 2016, a queda da receita líquida, o aumento de 11,4 pontos percentuais na proporção da despesa bruta com pessoal sobre a mesma, em 12 meses... e o alto endividamento com garantias da União.

Criada em 2012 por Guido Mantega, só no mês passado foi cortada a regra em que ele dava ao ministro da Fazenda – ou seja, a si mesmo – a primazia de autorizar empréstimos tomados pelos estados, pondo o governo federal como avalista. Para se ter ideia, dos $ 166,05 pagos pela União em dívidas de estados em outubro, R$ 158,23 milhões eram do Rio, que fechou 2016 como maior devedor (R$ 31,4 bilhões) e com o maior volume de dívidas não pagas no ano passado: R$ 2,27 bilhões.

Estação (sem) final

Explanação feita, voltamos ao nosso trajeto e ao ponto de chegada... ou não.

O lerdo Troncal 2 encerra sua viagem próximo à estação Jardim de Alah do metrô – por três anos, nada além de mais um tapume à vista de quem chegava ao Leblon, cujo tráfego ficou praticamente isolado.

Mais uma obra atrasada, a Linha 4 do metrô só ficou pronta às vésperas da Olimpíada de 2016, até Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, onde passou a fazer uma integração meia boca com o BRT – esse, sim, levando até o Parque Olímpico, sede principal dos jogos.

“Pronta” é bondade, porque a Linha 4 só pôde ser aberta ao público depois dos jogos e só saiu do papel deixando de fora a estação Gávea, que fazia parte de seu projeto. Ela estaria no meu caminho até o Leblon, seu optasse pelo Troncal 10. Também estaria no caminho, de metrô, de quem pegasse a Linha 4, mas foi deixada de fora porque não havia mais como concluí-la a tempo de ficar pronta até a Olimpíada.

Em março de 2016, a inauguração da estação Gávea passou a ser empurrada para 2018, mas hoje ela nem se imagina, com as obras paradas e apenas 42% delas concluídas, mais quando ela passará a existir de fato.

Em novembro do ano passado, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) constatou um prejuízo de R$ 2,3 bilhões às contas públicas com a construção da Linha 4 do Metrô – embutido em parte do aumento do custo de R$ 5 bilhões para R$ 9,7 bilhões nas obras, todas a cargo de empresas e investigadas na operação Lava Jato por corrupção por corrupção: Odebrecht, Carioca e Queiroz Galvão. Só o ex-governador Sérgio Cabral Filho é acusado de ter recebido propina de R$ 50 milhões para viabilizar contratos.

Só o gasto mensal com a manutenção do canteiro de obras paradas custa R$ 3 milhões por mês ao estado.

Sem previsão de continuidade da construção, a próxima parada é no Tribunal de Justiça, que julga neste 3ª-feira a ação do Ministério Público para o ressarcimento aos cofres do estado – mais especificamente um recurso da Queiroz Galvão que tenta revogar a liminar decretando indisponibilidade de 3% da renda líquida da empresa, até o limite da dívida total.

Fotos minhas, exceto as creditadas

terça-feira, 3 de junho de 2014

Festa na Papuda

Hoje é festa lá no CPP. Sem Barbosa, batem outra vez com esperanças os corações dos mensaleiros de saírem da cadeia antes do prazo legal. Já vai terminando a gestão do presidente do STF que, em tal cargo, não poderia capitular ante ameaças que, segundo amigos, aceleraram sua saída. Serviram, porém, para mostrar o caráter duplo da militância que se diz “pelas minorias” e usou insultos racistas tão logo Joaquim podou asas dos bons companheiros.

As gentilezas foram de “capitão do mato” (NR: negro que caçava escravos foragidos) a “negro vadio” que “a Dilma deveria (...) meter ele numa cadeia”. Para se ter uma ideia, o Ministério Público investigou a Fifa por suposto racismo – devido a cogitar Lázaro Ramos e Camila Pitanga como apresentadores do sorteio de grupos da Copa, mas optar pelo casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert, com os quais já havia trabalhado –, mas não moveu uma palha contra a campanha racista difamatória dos seguidores dO Partido. A Seppir – secretaria da Presidência, com status de ministério – também não fez nada, claro, tal como o movimento negro ligado ao PT. Racismo contra os inimigos pode.

A tese mais repetida pelos fãs de corruptores, para os quais Barbosa já vai tarde do STF foi a de que ele teria condenado o deputado cassado José Dirceu (PT-SP) – por quem a galera companheira mais violenta tem verdadeira tara – baseado somente na Teoria do Domínio do Fato, isto é: sabia do que ocorria, estando em posição de liderança.

É tão verdadeiro quanto a vasta cabeleira do corruptor Dirceu. Felizmente, como relator do julgamento do mensalão, Barbosa não deixou passar que o então ministro-chefe da Casa Civil de Lula participou diretamente das negociações para a obtenção de empréstimos pelo publicitário Marcos Valério, para bancar o mensalão – compra de apoio parlamentar para o governo de então.

Ou, como Rogério Gentile encarnando, na “Folha”, o espírito de boi sonso de seus fanzocos, “não existem tantas provas contra Dirceu. É só uma grande coincidência, por exemplo, ele ter se reunido com Valério e dirigentes do BMG num dia e o banco ter liberado recursos para o mensalão dias depois”.

A saída de Barbosa embala o decreto presidencial que impõe conselhos “populares” (de militantes) aos órgãos públicos e o anúncio do PT de que buscará regular a mídia, revogar a anistia e reformar a política, a partir de 2015. O poder “normal” não é suficiente, para quem diz que “não vale nossos governos indicarem ministros do Supremo, e eles chegarem lá e votarem contra” – o senador petista Jorge Viana (AC), deixando claro o plano de tornar o Judiciário um apêndice do partido.

Na semana passada, meu amigo Márvio dos Anjos, diretor editorial do Destak, indagou se valeria manter a Lei da Anistia, sem julgar casos como o de Rubens Paiva? Lembrando que ela perdoou crimes tão brutais quanto da esquerda que só visava a outra ditadura, sim. O contrário será submeter a lei ao triunfo da vontade de quem está no poder – vide agora o Egito.

Aí, vale tudo o que lhes favorecer, como mostra o mimo desse integrante da comissão de ética do PT-RN: “Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano. Ele deve ser morto”.

(Ampliada da coluna publicada hoje, 4 de junho de 2014, no jornal Destak. Acréscimos ao original impresso em itálico).

Servolo se escondia sob o codinome Antonio Granado.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Volta, Lula. E volta a nado

Na Coreia do Sul, onde os impostos tomam 26,8% do PIB, a presidente Park Geun-hye curvou-se, em rede nacional, para pedir desculpas pelo naufrágio com pelo menos 286 mortos – a maioria, crianças que viajavam em uma excursão da escola pela costa próxima à capital Seul –, apesar de a tragédia ocorrer em excursão escolar privada e de o órgão estatal acusado de lentidão no socorro às vítimas – a guarda costeira – não ser diretamente ligado à Presidência.

No Brasil, onde a carga tributária bateu recorde de 37,65% em 2013, o ex-presidente Lula falou na semana passada do estádio de seu time Corinthians, que só foi construído por influência dele, ainda no Planalto, e só ficará (?) pronto para a abertura da Copa com R$ 400 milhões dos bancos estatais BNDES e Caixa – financiamento amplamente anunciado desde novembro, apesar do qual Lula continua fingido que "não há dinheiro público" para a construção de estádios.

Em vez de desculpas pelo atraso nas obras e pelos três operários mortos na construção (1/3 do total de nove mortes, nos 12 estádios da Copa), insultos contra quem criticou o acesso do Itaquerão à estação de metrô. Não deve ser mesmo agradável se expor andando à meia-noite, após futuros jogos do time, mas, para o ex-presidente, reclamar disso é querer “ir até dentro do estádio” e pedir uma melhor infraestrutura de mobilidade é “babaquice”.

"Vai a pé, vai descalço, vai de bicicleta, vai de jumento, vai de qualquer coisa. Mas o que a gente está preocupado é que tem que ter metrô, tem que ir até dentro do estádio? Que babaquice é essa?"

A voz do povo é a voz de Deus, mas só para aplaudir o Narciso, que, sob vaias, até foge, como fez, deixando de fazer a abertura os Jogos Pan-americanos em 2007, no mesmo Maracanã que sediará a final da Copa do Mundo – e que, aliás, tem metrô quase na porta.

Infelizmente, de modo geral, tem funcionado: a uma plateia de blogueiros chapa branca bancados com dinheiro público por estatais e governos do PT e de aliados, o soberano diz que "exigimos é que haja neutralidade e seriedade nas informações", enquanto a própria imprensa a qual ele e seus companheiros chamam de "oposição" reproduz fielmente sua afirmação falsa de que "não há dinheiro público" (sic), sem desmenti-la para informar corretamente os leitores.

Felizmente, O Implicante lembra o que ele disse há quatro invernos:

“Se o Brasil não estiver pronto para Copa, volto a nado da África".

Será que essa promessa ele cumpre?

(Artigo ampliado da coluna publicada originalmente em 21 de maio de 2014 no jornal Destak. Trechos acrescidos em itálico)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Não vote, estude

Se novas pesquisas mudam perspectivas eleitorais, uma certeza é inabalável para 5 de outubro: a despeito de acharem radicais minhas posições liberais, familiares pedirão-me dicas sobre em quem votar – especialmente para deputados, sobre cujos candidatos saberão quase tanto quanto sobre as escalações da seleções de Irã e Bósnia na Copa.

Não é promessa de candidato: como Seu Creysson, agaranctho que, neste ano, não recomendo votos. E nem é vingança por não lerem Ludwig von Mises, Hayek ou Bastiat antes de atacar o que parece tão estranho ao senso comum, mas por convicção de que o conhecimento formador de opções sinceras é pessoal e intransferível.

Nesse fim de semana, 57% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que, se pudessem, nem iriam votar. Se mal conhecem os candidatos e partidos é o melhor que fazem. Escolher o “menos ruim” exige conhecimento que, se por quatro anos, você não teve curiosidade de adquirir, é porque não se importa tanto assim – e nem será de véspera que o conseguirá. Se esse é o seu caso, fique em casa ou vá à praia.

“Por que recomendar a alguém que ‘vá ler mais’?”, questionou, na 2ª-feira, meu amigo Vinícius Albuquerque, editor de SP. Solta, a premissa é pura insinuação de ignorância – localizada, na verdade, em quem a profere, por não saber nem dizer o que (nem por que) ler. O oposto é recomendar determinada leitura ou estudo, por saber que ela acrescentará – há pouco, recebi tal recomendação, de gente inteligente e sincera. Agradeço e me esforçarei.

Publicado originalmente no jornal Destak de 15 de maio de 2014. Reproduzido com alguns acréscimos

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Hoje é festa lá no DCE

Abro esta coluna com o alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), para quem era “preciso proteger os fortes dos fracos”, contra a “doença do niilismo”. Volto a outro filósofo, o pernambucano Luiz Felipe Pondé, com quem abrira a coluna da semana passada: coincidentemente, na segunda-feira, bombou seu artigo ressaltando que, no Brasil, “ser jovem e liberal é péssimo para pegar mulher”.

Alvíssaras no outro mundo encantado! O reassa entregou que seus pares não pegam nem resfriado! Houve quem lesse até confissão de inépcia própria: “Pondé anuncia celibato!”, manchetou o (mais involuntariamente) humorístico “Piauí Herald”, sobre o cinquentão e seu texto iniciado com “ser jovem”.

Para usar o linguajar mimético das redessociais, “só que não”... A referência extratextual em outros artigos do casadão Pondé situa a incompetência, tal como a covardia intelectual, onde elas estão: na mediocridade, que “é enturmada e anda em bando”.

Como “as [pessoas] menos dotadas odeiam as mais dotadas”, para livrar-se da maldição dos fracos, convém não ser forte – no sentido intelectual e de personalidade. Quem xinga muito no Twitter contra a existência de intolerantes como Pondé, pratica o puro “Marketing do Bem” por ele definido: não tem “a coragem de alguns de resistir às glórias de fazer parte da torcida e do rebanho”. Como diz o neo-odiado Lobão, “o frouxo unido jamais será indivíduo”. E tal qual nos filmes adolescentes americanos, necessita ser popular.

Originalmente publicada no jornal Destak em 23 de abril de 2014.

PS: reparem no link para o livro do Grande Lobo que ele vaticina "Mas querem saber de uma coisa? Foda-se a patrulha!", pouco antes da frase citada. É, não para quem mendiga curtidas no feice...

PS 2: Esses mesmos que apelam para o marketing pessoal do bem na rede, aproveitando o dia de hoje, podem fazer que nem São Jorge na festinha do DCE, encarando aquela suvaquenta para dizer que pega alguém – quem odeia o Pondé pode adotar o grande pensador Dadá Maravilha como filósofo de cabeceira, melhor que os livre-docentes da USP...

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Caravana Rolidei

O ano era 2007, o mês era agosto e a capital do Acre já concorria com outras 11 cidades a ser uma das sedes da Copa que o Brasil só ganharia o direito de sediar em outubro. Embaixador da candidatura de Rio Branco, José Wilker deu aula sobre o segundo ciclo da borracha, que quase o fez o nascer acreano, pois seu pai saíra do Ceará para virar seringueiro.

A condição de a cidade sediar jogos de Copa do Mundo, porém, pode ser resumida pela cheia que há duas semanas bloqueia a BR-364 e corta sua única ligação rodoviária com o resto do país, levando o Governo do Acre a decretar calamidade pública – vale a pena ver a reportagem do Jornal Hoje de ontem, em que a equipe acompanha um caminhoneiro por 38 horas no percurso de Porto Velho a Rio Branco, de 490 km normalmente percorridos em oito horas.

A aventura inclui espera por balsa para atravessar a área alagada e tráfego 'normal' em um trecho da estrada que se transforma em um charco, com água a mais de um metro de altura, tornando a rodovia invisível por baixo da carreta.

O que por terra empaca, pelo ar não decola e leva o presidente da Infraero, Gustavo do Vale, a assumir que vai “tapear as obras de modo que você melhore a operacionalidade sem terminá-las como um todo”, ao assumir que o aeroporto de Confins, na Grande BH, não ficará pronto até a Copa, assim como os de outras cinco cidades-sede do torneio: Porto Alegre, Fortaleza, Curitiba, Salvador e Cuiabá.

Em Porto Alegre, com apenas 1,85% da obra feita, o terminal de passageiros terá sua reforma concluída somente no próximo ano, mas o trabalho todo ainda dura mais dois anos, vai até 2016.

Fortaleza, por exemplo, não teria o aeroporto reformado nem se sediasse os Jogos Olímpicos: só termina em 2017. Mas só fica indignado quem não sabe que Gustavo disse apenas o óbvio.

Vem sendo tapeado quem quer, desde 2007. O próprio Confins tinha plano de privatização desde 2008. Em agosto de 2012, Dilma Rousseff o trocou por parceria público-privada – mais ideologicamente aceitável – com empresas estrangeiras. Só que ninguém quis e o leilão foi feito em novembro de 2013. O vacilo é óbvio, exceto para otimistas como Aldo Rebelo, que devem crer até em neve no Brasil – cuja infra aeroportuária segue tão moderna quanto a Caravana Rolidei.

Publicado originalmente no jornal Destak, em 9 de abril de 2014. Trechos adicionais em itálico.

PS: a rigor, há neve no Brasil, tanto quanto pode haver aeroportos entregues no prazo pela Infraero. Depois de fechado, pensei que seria melhor trocar "Brasil" por "Sertão do Brasil", mas a página já havia ido para a gráfica. Como diria Ritchie, a vida tem dessas coisas – acrescento eu: especialmente quando se trabalha em jornal, que não tem a flexibilidade da internet para alterações a atualizações. The End.